Friday, November 17, 2006

O Túnel, de Ernesto Sabato

Este é um túnel vertical, em forma de cone e com uma pequeníssima brecha no seu fundo. É a solidão, a incompreensão e a falta de comunicação. E não foi para rimar que escolhi estas palavras. É uma história da busca do amor, ou do que Juan Pablo Castel ( personagem principal ) pensa que possa ser o amor. É a busca de um olhar que lhe diga " Sei o que sentes" e a ansiedade de uns lábios que lhe sussurem " Estou aqui ". O ciúme é acrescentado à narrativa como justificação aos actos tresloucados e insensatos do protagonista, mas como em todas as relações este ingrediente é só uma consequência de todas as (in)seguranças de alguém que muito antes de encontrar o amor, precisa de encontrar-se a ele próprio.
Não é um romance genial. É uma história que se pensarmos bem até é banal, sem que todas as histórias semelhantes tenham um final tão trágico ( morte da amante, suicídio do marido da amante, prisão do protagonista ). Mas não será assim tão menos trágico perder o amor de alguém, perdermos o respeito por nós próprios, enfim, deambularmos como fantasmas. O que quero dizer é que o mais interessante do livro é mesmo percebermos que tecer um casulo e fecharmo-nos lá dentro é indício de que a espiral do silêncio pode ser o princípio do fim.

Boas Leituras

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