A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
Viver uma vida vivida é tudo o que a Casa dos Espíritos é. É Vida que sorri, é Vida que chora, é Vida que sangra, é Vida que cruza com outra Vida, é Vida que ama e que odeia, é Vida que nasce e que morre. Mas é sobretudo o ideal de um sonho, da pegada do Homem na Terra e da luta deste para que essa pegada não se apague. É uma obra-prima.
Toda e qualquer descrição que eu possa fazer desta obra será redutora, perante a sua grandeza e beleza. As linhas acima foram a melhor forma que encontrei para o fazer. A isto acrescento que amava viver como esta família viveu, sem tempos vazios.
Bem ao estilo dos escritores latino-americanos, a autora constrói um enredo composto por imensas personagens, recheado de apontamentos político-sociais do Chile ao longo do último século, apontamentos estes minuciosa e arquitectonicamente descritos.
As dicotomias presentes ( masculino-feminino; nascimento-morte; rico-pobre; esquerda-direita )são outra das grandes forças conferidas a esta estória. De uns nasce a intolerância, a solidão e a violência. Noutros floresce o desespero, a vingança e a esperança. Em todos existe uma enorme capacidade de amar... o próximo, o anterior, a terra, as causas, a mãe, o filho, a natureza, o país... sendo que na maioria das vezes este amor não se cruza.
Não sei se pela minha forma romântica de ver as coisas, se por outra qualquer razão, o certo é que se à partida esta vos possa parecer uma história com um potencial final dramático e triste, isso não acontece, pois uma Vida vivida como a destas personagens de modo nenhum nos poderá entristecer. :)
Boas Leituras.

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