A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos
São livros como este que me fazem compreender ainda melhor porque o apelo pelo jornalismo esteve sempre dentro de mim. Não atribuo isso ao facto de A Ilha das Trevas ter sido escrito por um jornalista, ou pelo menos não só a isso. Aliás, devo confessar que foi o primeiro romance que li de José Rodrigues dos Santos, mas sinto-me à vontade para dizer que temos escritor… com vestígios de um olhar incisivo sobre o que o rodeia, característica esta decorrente da sua profissão, penso eu. Todavia, incidamo-nos sobre o núcleo central de qualquer livro, a narrativa.
A Ilha aqui presente é Timor-Leste, as Trevas a situação em que deixámos essa população após a atarantada deserção dos portugueses, a que chegámos a chamar descolonização. O mérito da estória? Transportar-nos para anos e anos de puro terror, físico e psicológico. Abrir-nos caminhos para percebermos melhor o drama de milhões de “moribundos”, pois os timorenses não passaram disso mesmo durante mais de 27 anos. Muitos dos que não morreram, certamente quiseram esse destino para si e para as suas famílias.
Serviu este relato para perceber que os heróis não existem só na banda desenhada, mas que também não são super-homens; para confirmar que Portugal é politicamente pequeno, mas recheado de grandes cérebros; para lembrar que as pessoas são o que são pelas suas atitudes e não pelas suas ideias.
A máquina do tempo por que passei ao ler este livro arrastou-me para um passado que não conheci, mas fez-me querer pertencer a um futuro que não deixará nas mãos dos outros aquilo que devemos ser NÓS a fazer, todos NÓS.
Boas Leituras.

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